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sábado, 14 de agosto de 2010

Mais Vale ter um Plano Eficiente que Estar Motivado





Por Eugen Pfister

O dia em que o leão me ensinou que mais vale ter um plano eficiente que estar motivado

Foi assim. Dois caçadores acordam e percebem que a sua barraca estava sendo rodeada por um leão com cara de poucos amigos e uma fome de faquir após 30 dias de jejum. Um deles decide sair correndo e só se deteve alguns segundos por estranhar que o amigo aparentando calma calçava o tênis.

- “Escuta cara, você nessa calma vai ficar aí amarrando o tênis? Qual é o teu problema”

Enquanto saía desembestado selva adentro ouviu a resposta:

- “Meu caro amigo, o meu problema é ser mais veloz que você, só isso!”.
A historieta enseja várias conclusões. Eis algumas:

Um incompetente motivado continua sendo um incompetente.
Uma pessoa competente sem um plano eficiente age, naquela situação, igual ao incompetente.
Às vezes um plano é mais útil que toda motivação do mundo.
Se plano, competência e motivação andarem juntos e simultaneamente, melhor ainda.
Confio que o leitor terá seus insights e enriquecerá o sentido pedagógico do conto. Enquanto isso, permitam-me expor meus argumentos. Quer dizer afora os quatro acima citados.

Fosse eu um filósofo argüiria que a motivação não é condição suficiente para o sucesso de uma empreitada. Ela pode ser uma condição necessária. Porém, nem sempre é preciso estar motivado para ser eficaz.

O caçador com tênis teve uma percepção mais elaborada e completa da situação e das possibilidades que ela encerrava. O seu colega só foi dominado pelo instinto de sobrevivência. Talvez raciocinasse que a sua motivação de sair correndo fosse suficiente para minimizar o risco. Quem sabe?

O certo é que avaliou mal as dificuldades de executar seu plano com os pés desprotegidos de tocos de árvores, pedras, espinhos etc. Pelo seu cálculo assumir, a dianteira aumentaria a sua chance de safar-se do perigo.

Ele avaliou que calçado e provisoriamente na dianteira ele potencializava a sua capacidade de sair com vida da terrível situação. Primeiro, porque o amigo distrairia o leão. Segundo, porque com os pés protegidos ele não tardaria em ultrapassar o outro.

Não sei como terminou a aventura, mas sei que sem uma visão objetiva, racional e holística da situação e sem um plano eficiente a adversidade aumenta. Com ambos requisitos, a probabilidade de sermos bem sucedidos aumenta apesar da adversidade.

Também sei que na medida em que a prática (execução) corroborar a teoria (plano) a motivação dispara. É o que chamo de motivação causada pelo resultado que é uma modalidade desprezada pela teoria convencional.

Vou repetir: o ideal é que motivação, plano e competência andem juntos. Porém, na vida real não podemos nos dar ao luxo de desdenhar tarefas que nos motivem menos. Uma atitude dessas denota imaturidade e baixo senso de profissionalismo. Digamos que antes a realidade, em seguida o dever e, por último, a sobremesa.

Com a motivação pode acontecer o mesmo. Ela vem em função de uma visão realista da situação que nos faz agir eficazemente. Quanto mais fazemos e quanto mais vitórias (mesmo que pequenas) acumulamos na atividade, mais motivado ficamos.

Então, amigos, um plano na cabeça e mão na massa.

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