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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sorte ou competência, o que define o sucesso do gestor?



Perguntar a gestores de fundos ou consultores de investimentos se os retornos obtidos se devem ao conhecimento profissional ou à sorte tende a provocar longas pausas e muita agonia. Indignados, eles admitem que a sorte sempre é um componente, mas detestam dar muito crédito a ela. O assunto desperta lembranças ruins do período entre 2003 e 2007 quando, em retrospecto, era difícil separar a sorte das habilidades profissionais. Isso porque até mesmo os gestores fracos ou medianos podiam obter bons retornos nas fases de alta dos mercados.
Entretanto, desde o advento do aperto de crédito – e o contágio desenfreado que ele espalhou pelos mercados – a habilidade profissional tem estado mais em evidência, ou pelo menos há uma concordância maior sobre o que é habilidade. As pessoas que prestaram declarações para este artigo concordam que os investidores que estavam cautelosos com os imóveis e as ações em 2007, e aqueles que correram para os bônus corporativos e as ações, no fim de 2008 e em 2009, demonstraram ter habilidade.
É difícil encontrar histórias, nos últimos três anos, em que a sorte é o componente chave, mas no geral, quanto mais bem sucedido é um gerente de fundos, mais confiante ele é ao admitir que parte de seus retornos se deve a uma boa dose de sorte. Andrew Cole, um gestor multiativos do Baring Dynamic Asset Allocation Fund, admite que o retorno de 128% obtido sobre uma alocação de carteira de 3% em ouro, em 28 de setembro de 2007, foi pura sorte, ou no mínimo inesperadamente bom.
O fundo assumiu a posição quando a expectativa era de que o ouro iria manter seu valor enquanto outros ativos iriam cair. Todavia, uma combinação da queda surpreendente do mercado de ações, os temores resultantes de uma depressão e o impacto inesperado do afrouxamento quantitativo, puxou os preços para cima.
“Se você compra um ativo para diversificar barato e espera que ele fique caro, pode haver uma série de motivos inesperados pelos quais isso poderá acontecer”, afirma Cole. A mesma lógica se aplicou à sorte inesperada do fundo Global Absolute Return Strategy Fund da Standard Life. Ele comprou bônus de 30 anos do governo alemão em 2009 por “propósitos de proteção”, segundo Euan Munro, diretor de multiativos e de renda fixa.
“Estávamos em busca de um diversificador que nos rendesse algum dinheiro”, diz. Então, veio a crise periférica no começo deste ano e com os problemas na Grécia, Itália e Irlanda, ouve um voo para a qualidade, acrescenta. “Acreditávamos que iria funcionar, mas funcionou muito melhor do que imaginávamos.”
Os fundos de Munro e Cole seguem uma postura dinâmica de alocação de ativos, elaborada para proporcionar proteção contra as grandes quedas do mercado. Ao mesmo tempo, se aproveitam de novas oportunidades à medida que elas surgem. Uma abordagem que, quando bem sucedida, exige um alto nível de habilidade e indiscutivelmente uma dose muito pequena de sorte.
Por esse motivo, grandes consultores de investimentos passaram a ver essa abordagem – que avalia predominantemente o perfil relativo de risco/recompensa para a maior parte dos tipos de classes de ativos – como um novo paradigma para os investimentos e a melhor esperança de retornos com base na habilidade, e não na sorte.
John Belgrove, principal consultor da Hewitt Associates, diz: “Minha opinião é clara, uma postura diversificada, dinâmica, concentrada no risco, é o modelo que mais se enquadra nesse propósito hoje”, diz. Uma estrutura de investimentos sólida terá uma fonte diversificada de ideias de retorno em um modelo atento aos riscos. E a habilidade deve ser um complemento daqueles propensos aos ativos de melhor desempenho, e que evitam os ativos de desempenho mais fraco, afirma.
Yusuf Samad, diretor de investimentos da Aon Consulting, concorda: “Essas abordagens sofreram menos no aperto de crédito e, em alguns casos, conseguiram proteger o capital do investidor”, diz. Os casos são raros, observa, mas normalmente se concentram em não perder dinheiro e investir em múltiplas classes de ativos tradicionais. “A sorte é mais importante que a habilidade”.
A uniformidade dessas respostas é melhor entendida por meio de alguns estudos de casos de fundos de pensão que se beneficiaram das estratégias de alocação dinâmica de ativos. O fundo de pensão de 245 milhões de libras (US$ 391 milhões) da Selex, a companhia aeroespacial e de dispositivos eletrônicos militares, com cerca de 4 mil membros, colocou seus ativos nas mãos dos consultores de investimentos P-Solve em 2005. A estratégia de investimentos multiativos conseguiu retornos anualizados de 26,1% em três anos até 31 de março, comparados a uma média de 2,5% dos outros fundos.
Jack Berry, diretor-executivo da P-Solve, diz que o fundo da Selex beneficiou-se particularmente de uma postura ativa no hedging de juros e riscos de inflação, que respondeu talvez por metade dos ganhos. Mas, embora este tenha sido um retorno incomumente bom, ele diz que a abordagem da “rotatividade dinâmica de ativos” adotada pela consultoria no geral sempre tem mais chances de superar as estratégias mais tradicionais.
Um cliente da companhia desde o fim de 2003 vem conseguindo retornos anualizados de 8,9%. “Se eles estivessem nas ações, teriam ganhado 5% ao ano, e 5,7% em um portfólio diversificado estático”, afirma Berry.
Portanto, será este realmente o caminho a ser seguido? É claro que há vozes discordantes e céticas. Clive Gilchrist, vice-presidente da BesTrustees, diz: “Todo mundo está buscando retornos sem risco”. Para ele, os gestores de fundos de ações com liberdade para mudar para outras classes de ativos podem trabalhar isso, de modo a reduzir a volatilidade. Mas isso provavelmente também reduzirá os retornos. Num cenário “normal”, onde as ações têm desempenho melhor que os bônus, os resultados podem não ser tão bons, conclui. 

Fonte: Financial Times